segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Ancestrais


Por Ana Marques

Aprendemos a celebrar os nossos ancestrais.

Mas raramente olhamos para eles com real respeito.

Não importa se nosso avô ou avó é cristão, mulçumano ou judeu. Seja pelo tempo que viveu ou pelas experiências que teve, precisamos reconhecê-los e ouvir suas histórias.

Resgatar a ancestralidade.
Respeitá-la de verdade.

Não estou me referindo a velas no altar ou colocá-los como múmias em museus que nunca iremos visitar.

Falo de trazê-los para sua realidade.
Porque eles podem falar de onde viemos. Do que somos feitos. Quem são aqueles que abriram nosso caminho no mundo.
Eles falarão das bençãos e das maldições que carregamos.
Algumas dessas histórias podem nos ajudar a compreender e até, quem diria!, a exorcizar uns fantasmas.

Podem nos ajudar a ver quem seremos.

Porque vamos envelhecer, não se esqueçam.
Se o curso esperado seguir, vamos perder as forças e ganhar rugas. Para as mulheres, cessará a menstruação. Para os homens, mesmo com viagras e afins, o corpo não terá a mesma disposição e elasticidade.

É preciso saber envelhecer.
É preciso amar o envelhecimento da sua carne, para compreender o seu ciclo nessa vida.
É preciso amar cada dia vivido, para poder amar o fim do ciclo.
É necessário não ter situações pendentes, desejos frustrados e uma vida pela metade para que se possa apreciar a velhice.
Para que se possa ter o que ensinar na velhice.
Para que se ame as rugas, as pernas fracas, as mãos trêmulas.

Para que finalmente se entenda que a beleza fenece porque ela também faz parte de um ciclo. E existe um ciclo onde a beleza está na profundidade e não na superfície. Está na tranquilidade e não no desespero. Está na história que se conta e não apenas na que se vive.

Vivam intensamente.
Envelheçam serenamente.
Amem e ouçam os idosos que podem lhe ensinar tanto hoje.

2 comentários:

Debora Rocco disse...

Ana,

Estou aqui retribuindo a sua visita; na verdade que nunca tinha vindo.

Alguém me passou o seu texto sobre a bruxa que tenho postado no meu blog, e pensei que era de uma grande e antiga escritora de um outro século.

Na verdade que eu estava certa, vc é uma grande escritora (e também antiga -velha- ainda que parça jovem.

Estive navegando em seu blog e me deliciando com suas palavras; amei as poesias, tudo exala um profundo contato com o Sagrado.

Não sou muito de fazer visitas, nem reais nem virtuais, mas arrumarei um tempo para chegar até sua maravilhosa "casa".

Persephone disse...

Débora,

Obrigada pela visita, pelos elogios.

Apareça sempre. :)