domingo, 19 de abril de 2009

Qual a força da sua fé?


Por Persephone/Ana Marques



Qual a força da sua fé?

Qual a força que contém o círculo mágico traçado?

Sente-se capaz de criar a magia? De traçar o feitiço? De elevar a chama que tornará real o que planeja?

Quantos feitiços brotaram do coração? Quantas velas derramaram-se em lágrimas perdidas?

Qual a força da sua fé?

Ao se despir para um rito, o faz com o coração limpo?Ao se vestir para um rito, sua alma está ali?

Qual a força do seu athame?Ele traça o ar, ou passeia sem destino?Ele invoca os quadrantes, ou se perde nas direções?

Pergunte-se: qual a força da sua fé?

Olhe em seu caldeirão. Busque nele a magia que transmuta ou o vazio que te engole.O que encontra ao mergulhar no útero da Grande Mãe? Ora terrível, ora suave?O que busca quando caminha no entre mundos dos Deuses?

Onde vais, se não sabes para onde ir?Sem a força da sua fé, onde buscas religar sua essência?Que essência existe, se sua crença é feita de fumaça?Se sua força é quebradiça.Se sua vontade é escassa.Se sua serenidade é uma mentira.

Onde buscas sua fé?Se não a encontra em si mesmo?

Quando olhas as luas... vês a Deusa a brilhar?Quando alimenta-se... vês a Deusa a nutrir?Quando feneces... vês a Deusa a ceifar?

Quando olha o sol... o Deus cega teus olhos?Quando fita o verde... a coroa de Pã vem a tua lembrança?Quando a roda se finda... a morte do Deus te entristece?

Vês os véus das fadas?As dimensões que se misturam?As perguntas que faço, fazem sentido em você?

Olhas tudo... bons amigos. Os ritos, os mitos, os sonhos.É um teatro sem dono?Ou é real? É verdade? É capaz?

Olha para dentro e responde: qual a força da sua fé?Olha para dentro e responde: acreditas nos Deuses que professas?

E pensa no próprio caminho e no que podes realmente acreditar.

E lembra se não crê em seus Deuses...

Os Deuses não crêem em você.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Eu e a bruxa em mim

Fotografia por Antar Dayal

Por Persephone / Ana Marques

Mora uma bruxa em mim: malvada, cruel e bela. Ela adora se olhar no espelho, é vaidosa, mas segura de si, não liga se o espelho acha outra mais bela. Branca de Neve que se dane. Bonita é ela, que não precisou morrer para ser rainha.

Mora uma bruxa em mim: intrigante, manipuladora e mágica. Ela mexe com as palavras, refaz os diálogos e inverte as situações. Se não estiver a seu favor, ela modifica. Seus feitiços enfeitiçam... até mesmo o espelho já anda chamando a Branca de Neve de mocréia...

Mora uma bruxa em mim: sorridente, misteriosa e transformadora. Não aceita nada pronto, e retruca imposições. Transforma as cabeças e cria frases indecifráveis. Decifra-me ou devoro-te? Interessante que o sorriso faz muitos desejarem ser devorados...

Mora uma bruxa em mim: iniciadora, inteligente e inesperada. Ama a chuva, a lua e as estrelas, mas detesta que vejam apenas a aparência. Incapazes de ver o interior, jamais a verão dançar nua na lua cheia... jamais a verão debruçar-se sobre a Lua Negra... jamais a verão misturar-se às estrelas... É preciso ser iniciado para vê-la, mas para entendê-la é preciso desistir...

Para que entender o que se pode simplesmente sentir?

Mora uma bruxa em mim: uma mulher, uma fada, uma menina. É independente, e livre como os ventos do leste, é quente como o vento do norte, é suave como a brisa marinha. Mas como fada voa para longe se ameaçam fechar suas flores, como criança embirra se a tentarem conter nas travessuras e como mulher, ela parte, se tentarem cercear que ela seja o que é:

Eu mesma: mulher, menina, fada, e bruxa.


PS: Esse texto tem sido muito copiado e repassado na internet. Se o encontrarem, por favor, apenas solicitem que identifiquem a autora, ou seja, EU! ;)