segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Magia



Magia

A magia vive aqui.
Poderia entender?
Meus olhos seguindo o rastro
do círculo que se alastra
e recria um mundo
entre mundos.

A magia vivencia aqui
e eu espiralo em transe
o ser que transborda
a vida corrobora
e eu sou UNA
entre muitas.

A magia permeia aqui.
Poderia perceber?
Meu corpo extasia o torpor,
a coragem vivenciada em calor
e eu sou GRANDE
em meus Deuses

A magia integra aqui
e eu vivencio esse poder.
Sou parte, sou una, espiralada.
Sou resposta a este amor
e eu sou MAGIA
em meus Deuses.

domingo, 8 de novembro de 2009

Transcender o ego



Por Ana Marques

Como saber se transcendemos o ego?
Se o superamos?

O processo é longo, trabalhoso. Requer mais que dedicação, requer imersão.

Mergulhar na necessidade de ir além.
De vivenciar além e voltar...
pra casa.

Que casa?
A casa onde está a sua essência divina. A essência que faz de você quem realmente é e não o que a sociedade fez de você.

Vou ilustrar com o mito da bruxaria, retirado do livro "Bruxaria Hoje" de Gerald Gardner.

"G. nunca amou, mas ela resolve todos os mistérios, mesmo o mistério da Morte, e assim viajou às terras baixas. Os guardiões dos portais a desafiaram. 'Despe teus trajes, tira tuas jóias, pois nada disso podes trazer contigo em nossa terra.' Assim, ela pôs de lado seus trajes e suas jóias e foi amarrada como o eram todos os que entravam nos reinos da Morte, a poderosa.
Tal era sua beleza que a própria Morte se ajoelhou e beijou seus pés, dizendo: 'Abençoados sejam esses pés que te trouxeram por estes caminhos. Permanece comigo, mas deixa-me pôr minha mão fria sobre teu coração'. E ela respondeu: 'Eu não te amo. Por que fazes com que todas as coisas que amo e que me alegram se apaguem e morram?' 'Dama,' respondeu a morte, 'isto é a idade e o destino, contra os quais não sou de nenhuma ajuda. A idade faz com que todas as coisas feneçam; mas, quando o homem morre ao fim de seu tempo, eu lhe dou descanso e paz e força para que ele possa retornar. Mas tu és adorável. Não retornes; permanece comigo.' Mas ela respondeu: 'Eu não te amo'. Então a Morte disse: 'Como não recebes minha mão em teu coração, receberás o açoite da Morte'. 'Esse é o destino, que seja cumprido,' disse ela, ajoelhando-se. A Morte açoitou-a e ela gritou: 'Conheço os sofrimentos do amor'. E a morte disse: 'Abençoada sejas' e lhe deu o beijo quíntuplo, dizendo: 'Que possas atingir a felicidade e o conhecimento'.
E ela lhe contou todos os mistérios e eles se amaram e se tornaram um; e ela lhe ensinou todas as magias. Por isso, há três grandes eventos na vida do homem - amor, morte e renascimento no novo corpo - e a magia os controla a todos. Para realizar o amor, você deve retornar na mesma época e lugar que os entes amados e deve lembrar-se e amá-lo ou amá-la novamente. Mas, para renascer, você deve morrer e ficar pronto para um novo corpo; para morrer, você deve ter nascido; sem amor você não pode nascer e eis toda a magia."


A Deusa, ao chegar aos portais da Morte, se desfez de todos os seus trajes e suas jóias.
Ou seja, se desfez de tudo que a definia e classificava.

Retire seus trajes e suas jóias.
Dispense seu nome, sua profissão, sua ascendência e sua descendência, seus amigos, seus companheiros.
Abra mão de todas as classificações.
Retire as qualidades com que o classificam.

Fique nu diante de si mesmo e responda-me:

Quem é você?
Sem rótulos que usa para se reconhecer... quem é você?

O que vê sobre si quando não é mais mãe, pai, esposa, marido, namorada, analista de sistemas, amigo de fulano ou sicrano, professor, pintor, desenhista, administrador, advogado, detalhista, ocupado, militante, irritado, irônico, amável...


Quem é você?
Se você não se apóia nas próprias definições de si, sabe quem é?

Se não sabe, está preso ao ego.
Não transcendeu nada.

Pode estar nos portais da Morte, todo vestido, sem saber como abrir mão de sua máscara social.
Pode estar diante de si mesmo no espelho fingindo que sabe quem é.

Pode estar enganando a si mesmo.

Eu estou nos portais.
Estou olhando além deles, para o momento em que tirarei as vestes e as jóias e descobrirei quem sou.

Onde você está?



segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Ancestrais


Por Ana Marques

Aprendemos a celebrar os nossos ancestrais.

Mas raramente olhamos para eles com real respeito.

Não importa se nosso avô ou avó é cristão, mulçumano ou judeu. Seja pelo tempo que viveu ou pelas experiências que teve, precisamos reconhecê-los e ouvir suas histórias.

Resgatar a ancestralidade.
Respeitá-la de verdade.

Não estou me referindo a velas no altar ou colocá-los como múmias em museus que nunca iremos visitar.

Falo de trazê-los para sua realidade.
Porque eles podem falar de onde viemos. Do que somos feitos. Quem são aqueles que abriram nosso caminho no mundo.
Eles falarão das bençãos e das maldições que carregamos.
Algumas dessas histórias podem nos ajudar a compreender e até, quem diria!, a exorcizar uns fantasmas.

Podem nos ajudar a ver quem seremos.

Porque vamos envelhecer, não se esqueçam.
Se o curso esperado seguir, vamos perder as forças e ganhar rugas. Para as mulheres, cessará a menstruação. Para os homens, mesmo com viagras e afins, o corpo não terá a mesma disposição e elasticidade.

É preciso saber envelhecer.
É preciso amar o envelhecimento da sua carne, para compreender o seu ciclo nessa vida.
É preciso amar cada dia vivido, para poder amar o fim do ciclo.
É necessário não ter situações pendentes, desejos frustrados e uma vida pela metade para que se possa apreciar a velhice.
Para que se possa ter o que ensinar na velhice.
Para que se ame as rugas, as pernas fracas, as mãos trêmulas.

Para que finalmente se entenda que a beleza fenece porque ela também faz parte de um ciclo. E existe um ciclo onde a beleza está na profundidade e não na superfície. Está na tranquilidade e não no desespero. Está na história que se conta e não apenas na que se vive.

Vivam intensamente.
Envelheçam serenamente.
Amem e ouçam os idosos que podem lhe ensinar tanto hoje.

domingo, 25 de outubro de 2009

Amor de Bruxa


Por Ana Marques

- Mãe! Mãe! Mãe!
A menina branquinha como a neve, de longos cabelos negros como ébano e belos lábios vermelhos como sangue, chorava sem parar e chamava pela mãe.
- Mãe! Mãe!
A mãe veio. As mães sempre vem, não é mesmo? Pegou a pequena no colo e sorriu. Acariciou os cabelos lisos da criança e ninou-a até acalmá-la. Só então perguntou:
- Minha linda, o que houve? Por que você está chorando?
A criança voltou a choramingar, dizendo entre soluços:
- Mamãe, no bosque estão contando histórias sobre a senhora, sobre mim... Falam que você é uma madrasta malvada, que me maltrata, que tenta me matar, que é vaidosa e fútil.
- Mãe... eu nem sei o que é fútil...
A menina chora mais, a mãe sorri.
- Filha, ouve sua mãe... Não vale a pena chorar pelo que você ouve por aí. Sou sua mãe, você é a minha filha... O que essas pessoas sabem do nosso amor? Da nossa cumplicidade? Das noites na frente das fogueiras? Das danças na lua cheia? Dos bolinhos assando no forno? Das maçãs carameladas em dias de festa?
- Ah... filha... as pessoas vêem apenas o que querem ver, o que compreendem. Elas não me entendem, não percebem que para ser mãe, eu não preciso ser feia ou esquecer de mim. Que para ser esposa, eu não preciso deixar de ser mulher. Não percebem que para acalentar menina tão especial como você em meu seio, eu não preciso sentir inveja ou ciúmes, porque somos diferentes e complementares. Você é a jovem cheia de energia e sem nenhuma experiência. Eu sou a mulher cheia de experiência e com a energia controlada. Um dia serei a anciã, aquela que irá te acolher nos momentos difíceis, te acalentar quando a vida te desafiar, te aconselhar quando você se sentir perdida e te respeitar pela mulher que você é assim como você me respeitará pela senhora que eu serei. Eu terei rugas e amarei cada uma delas. Você terá filhos e eu amarei cada um deles. E enquanto eu tiver forças, irei dançar nas fogueiras com você.
A mãe suspirou.
- Mas você precisa compreender que enquanto essas pessoas tiverem língua, elas falarão, e falarão o que quiserem da forma como entenderem. Elas não podem me entender porque eu não me comporto como elas, e elas também não irão te entender porque você certamente se comportará diferente dos filhos delas... Então eu sempre serei a bruxa malvada. E quando você crescer, será a sua vez.
A mãe sorriu para a menina.
- Não tenta entender tudo agora. Apenas não dê ouvidos para essas fofocas, continue brincando, buscando os amigos que você puder ter e sendo feliz apesar dos outros. Quando falarem algo, apenas ria. O riso desarma as pessoas.
E completou:
- E lembra que eu te amo.
A menina tinha parado de chorar. Mesmo sendo muito inteligente, em seus sete anos de idade não tinha maturidade para entender muito do que a mãe tinha explicado, porém tinha se acalmado. E como toda criança, queria a liberdade do quintal, as brincadeiras. As tristezas não tinham força contra sua alegria.
Porém, antes de ir, resolveu fazer uma última pergunta:
- Mamãe... por que te chamam de madrasta nessas fofocas?
A mãe riu alto.
- Ah, Branca de Neve! Porque eles simplesmente não conseguem alcançar a grandiosidade do amor de uma bruxa!

FIM

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Magia, modifica a quem?




Por Ana Marques

Antes de eu entrar no assunto, pare e pense: o que acha que é a magia?

Se acreditar em acender velas com um sopro... pense de novo.

A essência da magia é modificar a si mesmo, a sua consciência e a sua percepção da realidade.

Não é o que acontece fora que importa, mas o que acontece dentro.

Não interessa se o feitiço é para arrumar um emprego, passar num concurso ou atrair alguém.

Erroneamente associa-se a esse ato a infinita acomodação de deixar as mudanças necessárias na vida para uma série de ingredientes combinados.

Para que o feitiço se concretize, a magia precisa estar presente.
É preciso enfeitiçar...

Não ao outro: o empregador, aquele que corrigirá a prova ou o possível namorado.
É preciso enfeitiçar a si mesmo.

Abrir seu espírito para novos horizontes, para perceber aquilo que te falta para chegar aonde deseja. Para te dar clareza no seu objetivo, determinação no seu caminho.

Impregnar-se da crença no seu potencial, na sua força, na sua capacidade.
Somente quem acredita em si, no próprio poder, na sua habilidade de concentrar e direcionar a própria energia conseguirá um resultado real.

Não porque modificará as estações ou fará chover no Saara.

Porque terá a visão ampliada suficiente para enxergar o que antes eram sombras. Ouvirá claramente o que antes eram ruídos. Sentirá vivamente o que antes não passava de um arrepio. Deleitar-se-á no sabor que antes lhe escapava. Sentirá cheiros que mesmo em suas mãos não lhe chegavam aos sentidos.

Poderá perceber as oportunidades da vida.

Sua magia não terá criado essas oportunidades, mas a sua capacidade de aproveitá-las.

Transforme-se.

Faça a sua magia.

domingo, 27 de setembro de 2009

Deuses em mim


Por Ana Marques

O meu coração
é um templo dos Deuses Antigos.
Meu corpo
sua vontade espelhada
em sacro altar.

Sou o receptáculo
de suas dores.
Vivifico em amores
de amor construído
na dança dos Antigos.

Meu é um coração
pleno de sonhos.
Minha é a água
plena de sabores.
Estou dançando com os Antigos.

Sou o templo
em renovação.

Sou a sacerdotisa
em desconstrução.

Sou a bruxa
que guarda os véus
dos Deuses em mim.

domingo, 13 de setembro de 2009

Eu faço perguntas.


Por Ana Marques

Eu faço perguntas.

Está em mim. Faço perguntas. Questiono. Pergunto outra vez.

Desculpem o espírito "três-anos" que vive em mim, mas não sei viver sem buscar compreender.

Procuro entender o mundo que me rodeia, as pessoas que amo, o amor em si, as motivações, os anseios e o interior de cada um.

Inclusive o meu.

Importa quem sou, importa saber onde estou nesse mundo, onde encaixo minha forma e minha adaga nessa natureza digna e nessas luas sem fim.

O mar me olha e escancara suas próprias questões e a criança viva dentro de mim põe-se a perguntar novamente.

Quantas vezes as pessoas adentram seus espaços para compreender o porquê de estarem ali? Exatamente ali, e não na outra esquina? Por que não em outro país? Por que se conformaram? Ou lutaram? Por que se rebelaram... ou não?

Qual foi a noite mais bela da sua vida?
Qual foi a decisão da qual não se arrependeu?

Em que obscuro cômodo do seu coração vivem suas motivações?
Sabe exatamente o que o levou para o caminho que trilha?

Vejo as pessoas seguindo. Muitas vezes sem conseguirem enxergar que os motivos, tão bons motivos, são obediências. E seguem obedecendo acreditando que estão construindo uma vida.

Mas que vida há na obediência cega, que pode nos levar à felicidade mas que, com frequencia bem maior, nos leva à depressão ou ao abismo da indiferença?

Não estão cegos??
Ah, desculpe...
Provavelmente não.

Então... qual é a sua motivação?
Seus pais o criaram livres, a sociedade não lhe exerceu influência, a cultura ampliou seu horizonte e seus amigos não lhe exerceram pressão...
Responda-me de novo: qual é a sua motivação?

Porque o pai ausente motiva tanto quanto o presente: ele constrói a ponte pela negação. A mãe boa, quer seja boa demais, castra tanto quanto a mãe má ou a super-protetora, todas impedem a liberdade (leiam contos de fadas!). A cultura nos situa onde vivemos e nos distancia do que a ela é estranho, nossos limites são os limites dela, o que não está inserido nos é difícil compreender. Os amigos, seres sociais que gravitam em torno de todos nós desde a mais tenra idade, seja por amor ou por desconhecimento, um dia ou outro irão impor seus próprios e quanto mais jovens mais propensos estamos a aceitar o grupo em detrimento do "eu"...

Não importa quão boa tenha sido nosso ambiente e nossa família, nossos amigos e nossa vida... Não importa se cheios de razões ou dispersos delas... Todos somos influenciados e ensinados. Os nossos limites são impostos, antes que possamos aprendê-los.

É preciso soltar as amarras.
Enxergar os limites.
Ir além. Desenhar tudo de novo. Redesenhar sua vida nos seus próprios limites.
Perceber se o que desejamos é a nossa sina ou sina escrita numa briga de muitos anos atrás.

É importante compreender o não e o sim que dizemos. Se não desejamos uma profissão ou se a descartamos porque nos rebelamos contra alguém que a sugeriu para nós. Se seguimos um caminho porque era o que queríamos ou a sociedade nos impôs como o melhor ganha-pão.

O que fizemos com nossas vidas, foi feito por nós? Ou por inúmeras outras mãos invisíveis e desatentas que fomos recolhendo a cada passo?

Olhem bem à sua volta.
Enxergam a vida que vivem e a que desejam levar?

Podem ver o abismo? Enxergam a queda demasiada alta? A tontura demasiado forte? O fundo demasiado perto?

Se enxergam... perguntem-se: por que continuam na sua beira?


PS: E a resposta é "sim"... a quem quiser saber. Eu me faço as mesmas perguntas o tempo todo: o que quero é meu ou é resultado do outro? De onde isso veio? Qual a minha motivação? Aonde pretendo chegar ou por que pretendo partir? :)

domingo, 31 de maio de 2009

Fotografia por Sue Flood



Por Persephone


O que será, como será?
A lua escura irá revelar?
Venha, entregue-se.
A deusa escura protege.
Revele-se.

Abra seu coração.
A Lua Negra lerá
nos meandros da canção,
no inciso do senão
um pórtico em que estarás.

Lua negra, no teu reino
todos os receios
estão nos assombrando.
Os fantasmas vagueiam
se alimentando de fraquezas.

No escuro, a força brilha.
A noite, os medos voam.
O horror permeia a trilha
a verdade vem à tona.
A razão que nos abandona.

Na quietude noturna
o entusiasmo vai reagir.
Ouvindo a voz da lua
seguimos nosso elixir.
Recuar ou existir?

Sigam, filhos faustos.
Sigam, filhas nuas.
Pobres incautos...
Em noite sem lua
a magia flutua.

Respondam, bruxos e bruxas:
seus olhos podem cintilar?
Em noites sem lua,
na falta do luar,
vocês ainda podem brilhar?

Na noite da lua sem luz
a determinação será testada.
Responda: sua força reluz?
Na loucura recriada
soltas, suas feras algemadas.

Não temam, meus filhos!
Meu poder está no ar...
Sou a lua sem brilho.
Sou a mãe a gestar.
Usem-me para se libertar!

Sou a força para reviver,
sou tudo em seu começo.
Nutro os filhos a crescer,
os desavisados enloqueço.
Sou também o fim dos tempos.


PS: Para Tiamat. A Rainha de minha casa, a Deusa do meu altar.

domingo, 19 de abril de 2009

Qual a força da sua fé?


Por Persephone/Ana Marques



Qual a força da sua fé?

Qual a força que contém o círculo mágico traçado?

Sente-se capaz de criar a magia? De traçar o feitiço? De elevar a chama que tornará real o que planeja?

Quantos feitiços brotaram do coração? Quantas velas derramaram-se em lágrimas perdidas?

Qual a força da sua fé?

Ao se despir para um rito, o faz com o coração limpo?Ao se vestir para um rito, sua alma está ali?

Qual a força do seu athame?Ele traça o ar, ou passeia sem destino?Ele invoca os quadrantes, ou se perde nas direções?

Pergunte-se: qual a força da sua fé?

Olhe em seu caldeirão. Busque nele a magia que transmuta ou o vazio que te engole.O que encontra ao mergulhar no útero da Grande Mãe? Ora terrível, ora suave?O que busca quando caminha no entre mundos dos Deuses?

Onde vais, se não sabes para onde ir?Sem a força da sua fé, onde buscas religar sua essência?Que essência existe, se sua crença é feita de fumaça?Se sua força é quebradiça.Se sua vontade é escassa.Se sua serenidade é uma mentira.

Onde buscas sua fé?Se não a encontra em si mesmo?

Quando olhas as luas... vês a Deusa a brilhar?Quando alimenta-se... vês a Deusa a nutrir?Quando feneces... vês a Deusa a ceifar?

Quando olha o sol... o Deus cega teus olhos?Quando fita o verde... a coroa de Pã vem a tua lembrança?Quando a roda se finda... a morte do Deus te entristece?

Vês os véus das fadas?As dimensões que se misturam?As perguntas que faço, fazem sentido em você?

Olhas tudo... bons amigos. Os ritos, os mitos, os sonhos.É um teatro sem dono?Ou é real? É verdade? É capaz?

Olha para dentro e responde: qual a força da sua fé?Olha para dentro e responde: acreditas nos Deuses que professas?

E pensa no próprio caminho e no que podes realmente acreditar.

E lembra se não crê em seus Deuses...

Os Deuses não crêem em você.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Eu e a bruxa em mim

Fotografia por Antar Dayal

Por Persephone / Ana Marques

Mora uma bruxa em mim: malvada, cruel e bela. Ela adora se olhar no espelho, é vaidosa, mas segura de si, não liga se o espelho acha outra mais bela. Branca de Neve que se dane. Bonita é ela, que não precisou morrer para ser rainha.

Mora uma bruxa em mim: intrigante, manipuladora e mágica. Ela mexe com as palavras, refaz os diálogos e inverte as situações. Se não estiver a seu favor, ela modifica. Seus feitiços enfeitiçam... até mesmo o espelho já anda chamando a Branca de Neve de mocréia...

Mora uma bruxa em mim: sorridente, misteriosa e transformadora. Não aceita nada pronto, e retruca imposições. Transforma as cabeças e cria frases indecifráveis. Decifra-me ou devoro-te? Interessante que o sorriso faz muitos desejarem ser devorados...

Mora uma bruxa em mim: iniciadora, inteligente e inesperada. Ama a chuva, a lua e as estrelas, mas detesta que vejam apenas a aparência. Incapazes de ver o interior, jamais a verão dançar nua na lua cheia... jamais a verão debruçar-se sobre a Lua Negra... jamais a verão misturar-se às estrelas... É preciso ser iniciado para vê-la, mas para entendê-la é preciso desistir...

Para que entender o que se pode simplesmente sentir?

Mora uma bruxa em mim: uma mulher, uma fada, uma menina. É independente, e livre como os ventos do leste, é quente como o vento do norte, é suave como a brisa marinha. Mas como fada voa para longe se ameaçam fechar suas flores, como criança embirra se a tentarem conter nas travessuras e como mulher, ela parte, se tentarem cercear que ela seja o que é:

Eu mesma: mulher, menina, fada, e bruxa.


PS: Esse texto tem sido muito copiado e repassado na internet. Se o encontrarem, por favor, apenas solicitem que identifiquem a autora, ou seja, EU! ;)