segunda-feira, 28 de julho de 2008

Tens medo do quê?

Fotografia por Claudia Kunin


Texto por Ana Marques



Todos temos medo.



Medo de nos envolvermos demais. De menos. De nos apegarmos a alguém, ou nunca nos apegarmos a ninguém. Medo de sofrer, da dor, do sentimento, do amor.



Todos temos medo.



Que seja da nossa sombra, daquilo que nos assombra. Do nosso reflexo no espelho. Do sabonete que cai no chão do banheiro. De ver refletido os fantasmas, mulheres de cabelo na cara.



Quem aqui tem medo do O Grito? Ou do O Chamado?



E quem tem medo do próprio grito? Ou daquele sussuro suave que é um chamado?



Quem tem de Virgína Wolf? Deveriam, ela falava das acomodações e dos sentimentos interiores, de quem nem parecia ter sentimentos interiores.



Vocês tem medo de Clarice Lispector e sua dor rígida, sua clareza ímpar, seu sentimentalismo certeiro?



Quem tem medo do claro, do escuro, do abismo, do muro? Quem teme aquilo que desconhece? E aquilo que finge que conhece? Tens medo também?



Quem aqui teme a vida? Quem teme ser indigna, mal falada, desconhecida, ignorada ou debochada? Quem teme ser esquecida?



Quem teme a crítica alheia, o perdão que nos torna feia, a piscina rasa, o copo meio vazio... que podia estar meio cheio. Cheio de veneno, talvez?



Vamos, falemos de temores. Falemos de medos, pesadelos e receios.



Todos temos!



Todos, absolutamente todos temos medo.



A questão é descobrir o que nos faz acordar a noite, suados e com frio. O que nos faz o coração bater em taquicardia, em total agonia. O que nos faz parar durante o dia, como se um sopro de morte, nos tomasse em vida...



Conte-me. Conte-nos. Conte-se.



Tens medo do que?

1 comentários:

S. Thot disse...

Temo machucar o outro. Temo o contra-golpe e não ter a velocidade, disposição ou força suficientes para deter dete-lo.