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Para Tiamat
poema de Ana Marques
Ouve, Senhora, meu apelo!
Minha ordem, minha súplica, meu desejo.
Crie em mim a sua força,
me recria e me destroça.
Abre o meu peito e ouve o lamento.
O som do animal que não enfrento
que deseja sair de mim.
Ouve, Senhora, eu enlouqueço!
De sonhos, de vida, de anseios.
Eu vivo a sua terra
enquanto broto, meu peito encerra.
Eu não nasço, não morro, portanto...
presa sem rumo, no limbo:
eu não crio, não temo, nem rio.
Ouve, Senhora, eu reconheço!
Sua presença, sua insistência e o meu temor.
Abre meu peito, eu insisto!
Liberta a euforia, eu não resisto.
Quero brotar, morrer, sair do limbo:
criar, partir, temer e rir.
Ouve, Senhora, meu canto e festejo!
De amor, de dor, alegria enfim.
Abriste meu peito e dele voou
um dragão sem destino e meu destino traçou.
Agora eu broto, nasço e morro por fim.
Sem medo, não temo: viver e partir.


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